Sobrevida de 49% para 71%: o que 50 anos de pesquisa mudaram no câncer, tumor por tumor
Destaques13/10/2026 às 06:00
]]> (INSERIR VÍDEO) No fim dos anos 1970, 21 de cada 100 americanos com leucemia mieloide crônica estavam vivos cinco anos depois do diagnóstico, o que os médicos chamam de sobrevida em cinco anos. Hoje, são 71. No câncer de pâncreas, no mesmo intervalo, a taxa saiu de 3 para 14 em cada 100. A distância entre as duas doenças resume 50 anos de avanço contra o câncer. A sobrevida média de todos os tumores subiu de 49% para 71% nos Estados Unidos, mas esse número junta histórias que quase não se parecem. Os números estão no Relatório de Progresso contra o Câncer 2026, da Associação Americana de Pesquisa em Câncer (AACR, na sigla em inglês), e comparam pacientes diagnosticados em 1975–1979 e em 2016–2022. Eles não podem ser aplicados ao Brasil, onde, segundo o onco-hematologista Breno Gusmão, do Comitê Médico da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), não existe um registro populacional comparável. A reportagem mostra o que fez alguns tumores ceder e outros resistirem, e quanto dessa mudança chegou ao paciente brasileiro. AACR/Arte g1 Como ler os números: sobrevida relativa em cinco anos é o percentual de pacientes vivos cinco anos depois do diagnóstico, comparado ao esperado para pessoas da mesma idade e sexo sem câncer. Não significa cura: há quem viva mais de cinco anos com a doença ativa e quem morra de outra causa. Parte do aumento pode vir de diagnóstico mais precoce. Os dados da AACR são dos Estados Unidos e não representam o Brasil. Sangue foi o primeiro a ceder A leucemia mieloide crônica é o exemplo mais nítido. A pesquisa dos anos 1960 a 1980 identificou a alteração que move a doença, e disso saiu o imatinibe, lançado em 2001. É um comprimido diário que bloqueia a proteína anormal que faz as células doentes se multiplicarem, o exemplo clássico das terapias-alvo, remédios desenhados contra uma falha específica do tumor. Antes, o quadro evoluía em poucos anos para uma fase grave, e o paciente dependia de um medicamento que estimula a defesa do organismo ou de um transplante de alto risco. Hoje, descreve Gusmão, quem recebe o diagnóstico trabalha, viaja e tem expectativa de vida próxima à da população geral. Alguns conseguem até suspender o…
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