Pressão de Trump sobre Brasil é parte de plano para interferir em eleições da América Latina, diz professor
inicio19/09/2026 às 07:00
]]> O governo de Donald Trump tem ampliado a pressão sobre processos políticos e eleitorais de outros países, e o caso brasileiro faz parte dessa estratégia. A avaliação é do professor de Relações Internacionais da FGV e pesquisador do Carnegie Endowment Oliver Stuenkel, em entrevista ao podcast "O Assunto". A análise ocorre na discussão sobre a lista de 52 exigências enviada pelos Estados Unidos ao Brasil nas negociações para tentar reverter o tarifaço. Entre os itens estava a garantia de que "dissidentes políticos" pudessem disputar as eleições de 2026. A informação foi revelada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela GloboNews com fontes da diplomacia nesta quinta-feira (17). O governo brasileiro rejeitou essa e outras propostas e afirmou que questões políticas, judiciais e de soberania não estariam na mesa de negociação. Para Stuenkel, o documento mostra que a política tarifária americana foi usada com objetivos que vão além do comércio. "O governo Trump utiliza tarifas para atingir metas em áreas não relacionadas ao comércio, utiliza tarifas como ferramenta política", disse. Segundo ele, o texto enviado ao Brasil "explicita claramente o desejo por parte dos Estados Unidos de interferir em assuntos internos". Trump pediu que Brasil permitisse 'dissidentes políticos' a concorrer em 2026 O professor avalia que o episódio não é isolado. "O que estamos vendo no caso brasileiro faz parte de um projeto que se aplica a toda a América Latina", afirmou. O que chama atenção, na avaliação dele, é o quanto essas ameaças são explícitas, algo pouco comum nesse tipo de relação. Stuenkel cita dois casos de pressão americana sobre disputas eleitorais na região. Na Argentina, Trump manifestou preferência por um dos lados durante a eleição legislativa do ano passado e afirmou que a ajuda dos Estados Unidos ao país poderia não durar tanto tempo caso o grupo político adversário de Milei vencesse. O professor disse ter estado no país naquele momento e avaliou que o apoio americano provavelmente teve algum impacto para melhorar o resultado do atual presidente argentino, num cenário em que a moeda local estava fragilizada. O segundo caso é Honduras. Segundo o…
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