'O planeta em que nascemos não existe mais': o climatologista que alerta para epidemia de eventos climáticos extremos, mas se mantém otimista
inicio19/09/2026 às 07:00
]]> Mais de 200 mil pessoas foram evacuadas somente na França devido aos incêndios de julho Getty Images via BBC "Não vamos recuperar, pelo menos em nenhum futuro previsível, o clima e a atmosfera que já perdemos", diz o climatologista equatoriano Raúl Cordero. "Mas isso não significa que devemos nos acomodar. Porque ainda podemos perder mais", ele acrescenta, em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC. Cordero, que trabalhou durante anos no Chile e realiza várias pesquisas na Antártida, é atualmente professor da Universidade de Groningen, na Holanda. De incêndios a ondas de calor e inundações, "há uma epidemia de eventos extremos ao redor do mundo que estão se tornando cada vez mais intensos e frequentes", em suas palavras. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 Os 11 anos entre 2015 e 2025 foram os mais quentes já registrados, segundo um relatório de março da Organização Meteorológica Mundial. Cordero explicou por que o hemisfério norte está se aquecendo quase duas vezes mais rápido que o hemisfério sul, o que esperar do efeito combinado das mudanças climáticas e do El Niño e como, apesar de tudo, ele ainda encontra motivos para ter esperança. Leia abaixo trechos da entrevista. BBC — Ao apresentar seu relatório deste ano sobre o estado do clima no Reino Unido, o serviço meteorológico britânico afirmou que "o clima do século 20 já não existe". O senhor concorda com isso? Raúl Cordero — Sim, concordo plenamente. O clima depende, em última instância, da atmosfera, e a atmosfera na qual nascemos já não existe. O planeta em que nascemos já não existe. Nós alteramos a composição atmosférica do planeta com as emissões de gases de efeito estufa. E não a alteramos apenas um pouco: a concentração de CO2, o principal gás de efeito estufa, é hoje 50% maior do que era há pouco mais de um século. Se alguém modifica em tamanha proporção a composição atmosférica do planeta, o clima vai mudar. E ele nunca voltará a ser o que era até que esse excedente de 50% de CO2 diminua. Portanto, não é apenas o clima que temos hoje de diferente. A atmosfera é diferente. E há algo ainda pior: não vamos recuperá-los, pelo menos em nenhum futuro…
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