Mercúrio contaminou mais sítios arqueológicos maias do que se imaginava, diz estudo
Destaques07/11/2026 às 05:00
]]> Turistas escalam pirâmide maia de Nohoch Mul no sítio arqueológico de Coba. REUTERS/Victor Gerardo Ruiz Garcia Para os antigos maias, o cinábrio — um mineral de cor vermelha vibrante — tinha um profundo significado sagrado, representando o sangue, a vida e a alma. Eles o utilizavam amplamente como pigmento em murais e templos, além de empregá-lo em cerimônias e ritos funerários. O que eles não sabiam é que o cinábrio é composto principalmente por mercúrio, que pode ser altamente tóxico. Pesquisas anteriores mostraram como o mercúrio do cinábrio deixou contaminação duradoura nos locais de certas cidades maias antigas, como Tikal, na Guatemala. Um novo estudo revela que essa contaminação era mais generalizada do que se sabia anteriormente e documenta como o mercúrio, após se infiltrar no solo e nos corpos d’água ao redor, se mostrou mortal para muitos organismos aquáticos. Os pesquisadores obtiveram amostras de núcleo do fundo de lagos em duas antigas cidades maias na península de Yucatán, no México — o sítio bem estudado de Coba e o pouco conhecido de Xcach. As amostras mostraram um pico de mercúrio em Coba, com início por volta de 250 d.C. e duração de cerca de 150 anos, coincidindo com o início da era de ouro da civilização maia, conhecida como Período Clássico. Em Xcach, houve um pico por volta de 125 d.C. a 200 d.C., pouco antes do Período Clássico; em seguida, um segundo pico mais ou menos na mesma época que o de Coba; e um terceiro pico de aproximadamente 535 d.C. a 820 d.C., que se estendeu até cerca do fim do Período Clássico. O estudo documenta a contaminação por mercúrio nas planícies do norte da região maia, uma área onde os registros sobre mercúrio eram até então escassos, e revela algumas das maiores concentrações de mercúrio já registradas na era maia. Muitas das grandes cidades maias entraram em colapso e foram abandonadas no final do Período Clássico. Várias hipóteses foram apresentadas para explicar essa calamidade, incluindo mudanças climáticas e guerras. A nova pesquisa sugere o envenenamento por mercúrio como um fator adicional. “Nosso estudo mostra que os limites estabelecidos pelas regulamentações modernas de toxicologia e poluição foram…
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