Endometriose: doença ignorada por séculos já tinha sintomas descritos na Antiguidade
inicio25/09/2026 às 08:00
]]> Endometriose pode levar anos para ser diagnosticada. Banco de imagens. Dor pélvica intensa, menstruações muito dolorosas e infertilidade. Sintomas hoje associados à endometriose já apareciam em textos médicos desde a Antiguidade. Ainda assim, a doença, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, permaneceu ignorada durante muito tempo. A explicação passa pela própria história da medicina e pela forma como a dor feminina foi interpretada ao longo dos séculos. Ter menstruações muito dolorosas. Sentir cansaço constante. Sofrer durante relações sexuais ou enfrentar problemas digestivos sem explicação. Para milhões de mulheres, esses sintomas fazem parte do cotidiano. Mesmo assim, ainda são frequentemente minimizados ou até tratados como algo “normal”. Por trás dessa dor pode estar uma doença comum, mas durante muito tempo negligenciada: a endometriose. Estima-se que a doença afete cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a quase 190 milhões de pessoas. Somente na França, seriam aproximadamente dois milhões de mulheres, segundo um relatório publicado pelo Inserm em 2024. O intervalo médio entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico ainda varia de sete a dez anos em muitos países. Para entender por que essa demora persiste, é preciso olhar para a longa história das representações médicas e sociais sobre a dor feminina. Agora no g1 Um sofrimento descrito desde a Antiguidade Ao contrário do que se pode imaginar, a endometriose não é uma doença recente. Embora sua identificação como uma condição médica específica seja relativamente moderna, descrições de sintomas compatíveis com a doença — como dor pélvica intensa, menstruações muito dolorosas e infertilidade — já aparecem em textos médicos antigos. As referências mais antigas estão em papiros médicos egípcios datados de aproximadamente 1855 a.C. Na Grécia Antiga, textos do Corpus Hipocrático, atribuídos a Hipócrates e produzidos entre os séculos 5 e 4 a.C., descrevem problemas ginecológicos acompanhados de dores menstruais intensas, sangramentos anormais e dificuldade para engravidar. Na época, esses sintomas eram interpretados a partir da teoria do…
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