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Delírio de grandeza: o que acontece no cérebro de quem acredita ter poderes ou uma missão extraordinária?

Destaques 31/10/2026 às 06:00
Delírio de grandeza: o que acontece no cérebro de quem acredita ter poderes ou uma missão extraordinária?
]]> Neurônios aparecem em imagem ampliada do cérebro de um camundongo. Kaelin Wulf e Rachel Flannery/Nikon Small World Uma pessoa trabalha, paga as contas, comenta o noticiário com lógica e raciocina bem sobre praticamente tudo. Num único assunto, porém, não admite dúvida: está convencida de que foi escolhida para uma missão extraordinária, de que tem poderes que ninguém mais tem ou de que ocupa um posto de importância que o mundo ainda não reconheceu. A medicina chama o quadro de delírio de grandeza, e ele diz respeito a algo bem mais profundo do que vaidade: o modo como o cérebro interpreta a realidade e decide em que acreditar. Delírio, no sentido médico, é uma crença equivocada mantida com enorme convicção, mesmo quando as provas contra ela são claras. No de grandeza, a certeza envolve capacidades, identidade ou importância que não existem. Pode ser a pessoa que se acredita secretamente escolhida para um cargo político de destaque, a que se vê com poderes sobrenaturais ou a que se sente encarregada de salvar a humanidade. Quem vive isso não está mentindo nem tentando enganar ninguém. Para essa pessoa, tudo é real. Agora no g1 Arrogância não é delírio Exagerar as próprias qualidades, exigir tratamento especial e reagir mal a críticas são traços de personalidade que não rompem o vínculo com os fatos. O neurologista e neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas, explica que a pessoa narcisista se julga superior e vive atrás de admiração, mas segue em contato com a realidade. No delírio, o que se altera é a própria percepção do real. As duas condições não se equivalem, embora possam coexistir. O psiquiatra Arthur Danila, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, faz uma separação ainda mais fina, entre o delírio e a mentira. Quem mente de propósito sabe, em alguma medida, que diz algo falso e costuma ter um motivo, como obter vantagem ou preservar uma imagem. Quem delira pode estar integralmente convencido. Danila ressalta que nenhum gesto, expressão ou resposta isolada separa os dois casos com segurança: há…
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