'Dá vontade de morrer': a dor e o sofrimento do relato de uma mulher marcada pela violência
Destaques31/10/2026 às 07:00
]]> 'Dá vontade de morrer': o relato de uma mulher marcada pela violência de gênero "Às vezes dá vontade de morrer". Carregada de dor e sofrimento, a frase revela, de forma extrema, os impactos de diferentes tipos de violência sofridas por mais de uma década. Aos 41 anos, em tratamento de esquizofrenia e em sua quarta passagem por um abrigo municipal, Bruna (nome fictício) carrega no olhar as marcas de histórias que consegue narrar: agressões físicas sofridas inclusive durante a gravidez, abusos sexuais, violência psicológica, ameaças e exploração financeira. "Ele jogava na minha cara que ele foi pra prisão. Ele falou assim: 'eu fui pra prisão, agora quem é prisioneira minha é você'. [Queria] que me deixasse em paz. Se conformasse que acabou mesmo", disse. A história de Bruna é uma entre centenas registradas pelo Sistema de Notificação de Violências de Campinas (Sisnov). Segundo a escrivã da Polícia Civil e mestranda em Direitos Humanos e Vulnerabilidades pela PUC-Campinas, Angela Cristensen, transtornos mentais que provoquem impedimentos duradouros e comprometam a autonomia podem integrar esse universo. "Tem casos de pessoas que têm esquizofrenia e que conseguem se comunicar e fazer tudo. Mas a minha grande preocupação é a vítima que não consegue se comunicar, a vítima que tem uma outra questão mais agravada", afirma. Em Campinas, apenas no 1º semestre de 2026, uma em cada cinco notificações de violência contra mulheres registradas no sistema envolveu vítimas com algum tipo de deficiência. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Angela estuda justamente a violência doméstica contra mulheres com deficiência. E para ela, os números não retratam toda a dimensão do problema. "Os números de estatísticas que envolvem mulher com deficiência são baixos. Apesar de ter uma evidência de uma violência, eu entendo que ainda há muita subnotificação", afirma. Segundo a pesquisadora, a condição de deficiência pode ampliar obstáculos na tentativa de romper ciclos de violência. Em muitos casos, a mulher depende do próprio agressor para se locomover, acessar serviços de saúde, utilizar a internet ou manter tratamentos médicos. A advogada criminalista Erika Chioca Furlan,…
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