'Vivo o risco': única mulher presa em megaoperação no Alemão continua na comunidade após ação policial
Rio de Janeiro28/10/2026 às 10:30
]]> Gabriela Cristina Elias de Jesus, de 25 anos, foi acordando aos poucos com o barulho que chegava de fora. Estava sozinha naquela terça-feira, 28 de outubro de 2025, já que o filho mais velho, à época com 6 anos, passava a semana com o pai. Ela percebeu que vizinhas a chamavam na calçada para avisar sobre uma operação na comunidade. Vestiu-se rapidamente e foi para a Rua Dona Ana, na Vila Cruzeiro, Complexo da Penha, acompanhar a movimentação dos policiais. De repente, um tiroteio mudou a situação. Agentes ordenaram que entrassem nas suas casas, houve correria e todos se aglomeraram em uma única residência: sete mulheres, uma delas grávida, três crianças e um jovem de cerca de 20 anos. Os policiais tentaram entrar em seguida, e Gabriela fez o possível para impedi-los. Acabou presa em flagrante por associação para o tráfico. Foi a única mulher entre 89 detidos na Operação Contenção. Notória pela letalidade policial, a megaoperação afetou a vida de milhares de pessoas que vivem nos complexos da Penha e do Alemão — sobretudo mulheres, 54% da população dessas regiões, segundo o DATA.Rio. Muitas seguem em busca de justiça pelas 122 mortes ocorridas. Segundo a Defensoria Pública, das 26 famílias que acompanham os desdobramentos das investigações, 24 são representadas por mães e esposas. No atendimento oferecido pela Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave), a 40 famílias, todas à frente dos casos são mulheres. A partir de hoje, o GLOBO conta a história de algumas dessas vozes femininas após um ano da operação. Gabriela foi presa por gravar um vídeo mostrando cinco policiais civis abrigados no portão do imóvel. Ela conta que tentou se impor por conhecer os próprios direitos: sabia que eles não poderiam entrar na residência sem mandado de autorização e decidiu documentar a cena para se “proteger”. Já os policiais, em depoimento, dizem que o registro, uma “live” no Instagram, foi feito, “claramente”, para revelar a localização deles a traficantes. — Eles falam que eu botei a vida deles em risco, mas quem está em risco sou eu, sempre estou. A operação acabou, mas eu fiquei na comunidade. Se eu deixo os policiais entrarem, um cara daqui…
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