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Jovem Rio News

Ter mar não faz de uma cidade uma potência azul

Destaques 29/10/2026 às 17:13
Ter mar não faz de uma cidade uma potência azul
]]> Por Beto Marcelino O Brasil tem mais de 8 mil quilômetros de costa, esse é um número que usamos com frequência para demonstrar o tamanho do nosso potencial ligado ao mar, mas essa informação não responde quanto desse potencial conseguimos transformar em desenvolvimento econômico? Porque ter costa é uma condição geográfica, mas construir uma economia a partir dela é outra coisa. Ao longo dos anos trabalhando com cidades, aprendi que vocação, sozinha, não resolve muita coisa. Há regiões que concentram grandes empresas, infraestrutura e atividades econômicas importantes, mas não conseguem aproveitar toda a capacidade de gerar novos negócios a partir desses ativos. Com o mar acontece algo parecido. Uma cidade pode ter porto, indústria naval, operações offshore, pesca e turismo e, ainda assim, boa parte dessas atividades funcionar de maneira isolada. Empresas que poderiam fazer negócios entre si não se conhecem. Fornecedores não conseguem acessar novos mercados. Soluções desenvolvidas em outros setores deixam de chegar a indústrias que poderiam utilizá-las. É por isso que, para mim, a discussão sobre economia azul é menos sobre aquilo que uma cidade tem e muito mais sobre aquilo que ela consegue movimentar a partir do que já existe. Existe um risco quando surge uma agenda econômica nova: começamos a tratá-la como se fosse um setor independente de tudo o que já existe, mas eu não vejo a economia azul dessa maneira. Quando uma operação portuária contrata uma solução de inteligência artificial, existe uma oportunidade para o setor de tecnologia. Quando uma indústria naval moderniza seus processos, abre espaço para empresas de automação, engenharia e serviços especializados. Quando uma companhia investe em descarbonização, movimenta negócios ligados à energia, infraestrutura e consultoria. Uma única atividade econômica relacionada ao mar pode mobilizar dezenas de outras empresas que, à primeira vista, não se identificam como parte da economia azul. E talvez esteja justamente aí uma das maiores oportunidades para o Brasil. Toda vez que estou em algum palco falando sobre economia azul, procuro provocar uma reflexão: quais empresas e setores da nossa economia ainda não…
Este resumo é uma curadoria do Jovem Rio News. A matéria completa pertence à fonte original indicada acima, que deve ser acessada para leitura na íntegra e referência jornalística.
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