Salve a semana de Ibéjì, Cosme e Damião e de todas as crianças do astral
rio21/09/2026 às 07:00
]]> A penúltima semana de setembro chega trazendo a esfuziante alegria das crianças, que ocupa as ruas, os Terreiros e o coração de muita gente. No Candomblé e na Umbanda, esse período também está ligado a tradições que atravessaram o Atlântico e ganharam novas formas no Brasil. Entre elas está o culto a Ibéjì, os gêmeos sagrados da tradição yorùbá. Ibéjì representa a força dos nascidos gêmeos e está relacionado à proteção, à alegria, à continuidade da família e à celebração da vida. Para a tradição yorùbá, o nascimento de gêmeos possui um significado especial. O primeiro a nascer recebe o nome de Táíwò e o segundo, Kẹ́hìndé. Quando nasce um terceiro filho depois dos gêmeos, ele é chamado Ìdòwú. Essa tradição atravessou o oceano com os africanos escravizados e, aqui no Brasil, encontrou outras referências religiosas e culturais. Foi assim que Ibéjì passou a ser relacionado, em muitas comunidades afro-brasileiras, a São Cosme e São Damião, celebrados tradicionalmente em 27 de setembro. Mas é importante entender que não estamos falando simplesmente de uma divindade africana que "virou" santo católico. São tradições religiosas diferentes que, no Brasil, estabeleceram aproximações e correspondências dentro de um processo histórico de convivência, resistência e transformação cultural. São Cosme e São Damião, segundo a tradição cristã, eram irmãos gêmeos e médicos que ficaram conhecidos pela caridade e pelo atendimento aos necessitados. Essa imagem de dois irmãos dedicados ao cuidado e à solidariedade ajudou a aproximá-los, no imaginário religioso brasileiro, das celebrações de Ibéjì e das crianças. E é justamente aí que setembro e outubro ganham uma beleza especial. Porque uma festa de criança não precisa ser apenas uma mesa cheia de doces. Ela também pode ser uma oportunidade para lembrar que existe gente passando necessidade, criança sem brinquedo, família sem alimento e pessoas que precisam de acolhimento. Por isso, em muitos Terreiros, a celebração se transforma também em solidariedade. Distribuem-se doces, brinquedos, roupas, alimentos e carinho. A alegria deixa de ser apenas uma palavra e vira atitude. E onde entram os Erês? No Candomblé, Erê não é sinônimo de…
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