Rebobine: VHS, câmeras com filme e vitrolas ganham vida outra vez
rio20/09/2026 às 11:00
]]> Rua República do Líbano 44, centro do Rio. Um corredor estreito é cercado por pilhas e mais pilhas de aparelhos de áudio e vídeo dos mais variados tipos. No fim da loja, atrás do balcão, uma dupla se reveza diante de máquinas abertas, agulhas, cápsulas, fios e peças que já desapareceram das vitrines das grandes lojas. É ali que Jonas Polônio, de 61 anos, e Alex Alves, de 43, passam os dias fazendo o tempo andar para trás: dão vida nova a vitrolas, aparelhos de DVD e videocassetes que, em muitos casos, ficaram décadas esquecidos dentro de casa. Trabalho não falta. A procura cresceu tanto que os técnicos já avisam aos clientes que a espera pode passar de um mês. É sinal de um movimento que vai além daquela oficina: no Rio, aparelhos e mídias físicas que pareciam condenados às caixas e aos armários ganham nova vida entre diferentes gerações. Do vinil à fotografia analógica e às fitas VHS. — Não damos conta. Trabalhamos até a noite, mas não dá tempo. Estamos pegando serviço, mas já avisamos que vai demorar — diz Jonas Na foto, o tecnico Alex Alves, 43 anos, trabalha na loja Som Vintage, especializada no conserto de toca discos, vitrolas e equipamentos antigos no geral, na Rua República do Líbano, no centro do Rio. Marina Calderon / Agência O Globo Ressuscitar um desses aparelhos custa, em geral, de R$ 250 a R$ 500. Os insumos, no entanto, podem encarecer a brincadeira. Dependendo do modelo, só a agulha pode sair por algo entre R$ 80 e R$ 1 mil. Encontrar componentes também exige garimpo: segundo os técnicos, as peças ainda existem, mas muitas precisam ser buscadas na internet. Curiosamente, são os equipamentos mais novos que, às vezes, desafiam a bancada. Com os antigos, dizem eles, é difícil não haver solução. Recentemente, recuperaram uma vitrola de 1948. Há por ali exemplares com mais de um século. Um gramofone centenário aguardava sua vez na fila de consertos. Jonas navega nesse universo desde criança. Herança do pai, que consertava rádios a válvula. Só no Centro, ele está há mais de 20 anos. Alex também acumula décadas no ofício. A intimidade da dupla com aquelas engrenagens virou motivo de brincadeira. — Esse é o nosso “Professor Pardal”. Mexe numa vitrola…
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