Qual é o limite para a autonomia num cenário de demência ou fim de vida?
Destaques08/10/2026 às 06:00
]]> Alzheimer está relacionado a até 70% dos casos de demência Na terça-feira, escrevi sobre a importância do exercício para o paciente com câncer, tema que abriu o 13º. Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026). Hoje, o assunto é autonomia, e aproveito para discorrer sobre dois painéis igualmente instigantes. O primeiro era uma roda de conversa intitulada “Autonomia em pessoas com declínio cognitivo”, que apresentou casos clínicos para serem debatidos. Um deles era sobre um homem de 81 anos, independente para realizar sozinho suas atividades do dia a dia, mas já necessitando de apoio no gerenciamento das finanças e manejo dos medicamentos. Com alta escolaridade e aposentado do serviço público – o que lhe garantia uma alta renda –, estava numa fase inicial de demência, provavelmente por Doença de Alzheimer. Viúvo e sem filhos, mantinha um bom relacionamento com os sobrinhos, mas se recusava a deixar sua casa para receber cuidados em uma instituição. Qual seria a melhor solução para este ido Limite da autonomia num cenário de demência ou fim de vida: tema de debate de especialistas no GeriatRio 2026 Age without limits A advogada e pesquisadora Nelma Melgaço afirmou que é possível fazer um plano avançado de cuidados – que é previsto na Política Nacional de Cuidados Paliativos – numa fase inicial do Alzheimer: “É quando ainda é possível conversar sobre os valores e o que importa para essa pessoa, assegurando sua autodeterminação e autonomia antes que perca a capacidade de decisão”. Isabela Trindade, fisioterapeuta e atual presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG Nacional, lembrou que sempre há o risco de a rede de apoio do paciente passar a decidir tudo, ignorando suas vontades: “Proteção não é tirar todo o poder de decisão da pessoa quando ela ainda tem condições de se manifestar”. Recentemente, fiz uma coluna sobre a autocuratela, instrumento jurídico no qual a pessoa manifesta suas preferências para situações futuras de incapacidade, o que pode ser de grande ajuda num cenário como esse. Coube à advogada Luciana Dadalto propor uma reflexão desafiadora sobre a questão: “A demência não é vista como uma doença terminal porque…
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