Por que ostentamos? O que a psicologia e a economia explicam sobre o consumo de luxo
Destaques26/09/2026 às 06:00
]]> Por que ostentamos? O que a psicologia e a economia explicam sobre o consumo de luxo Adobe Stock Fernanda* tinha acabado de completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta, decidiu comprar uma bolsa que, diz ela, talvez custasse, na época, mais do que ela havia recebido naquele mês já que, por isso, a compra foi parcelada diversas vezes. Aquela foi, segundo ela, a primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar, buscando "o melhor”. O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde, com um carro que ela própria considera maior e mais sofisticado do que sua rotina exigia. "Eu sempre fui sozinha com meu filho. Então, eu não precisava comprar um carro grande, cheio de coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo do bom e do melhor, sem necessidade”, conta. Fernanda diz que havia algo além do desejo pelos produtos. "A partir daí, todo o meu dinheiro eu gastava com coisas desnecessárias. Eu nunca guardei dinheiro na minha vida. Sempre gastei tudo. Eu precisava me autoafirmar perante o outro”, diz ela. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 O que explica a vontade de ostentar? Comprar um produto caro não significa, necessariamente, ostentar. O mesmo objeto pode ser valorizado pela qualidade, pelo design ou simplesmente pelo prazer de consumi-lo. A ostentação aparece quando o bem também funciona como uma forma de comunicar algo aos outros — como status, pertencimento ou exclusividade, o que nem sempre tem a ver com dinheiro. Isso ajuda a explicar por que determinados produtos podem adquirir um valor que vai muito além da sua utilidade, segundo especialistas ouvidos pela DW. A psicóloga econômica Vera Rita Ferreira explica que os seres humanos são "inerentemente sociais” e, desde cedo, influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. A imitação faz parte do aprendizado: aprendemos, por exemplo, a falar e a andar observando outras pessoas. No consumo, esse mecanismo também pode aparecer. "Você se sente especial, e todo mundo tem vontade de se sentir especial, de se destacar de alguma forma. Mas as pessoas gostam de ter uma coisa mais cara porque menos gente vai…
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