Pesquisador revela detalhes de fiscalizações de saúde em navios negreiros no Rio; uma única embarcação teve 46 óbitos por banzo
Destaques08/11/2026 às 09:00
]]> Livro detalha visitas de médicos a navios negreiros Documentos analisados pelo arquiteto e historiador João Carlos Nara Jr. mostram um aspecto pouco abordado dos mais de três séculos de escravidão no Rio de Janeiro: as visitas de saúde nos navios negreiros que chegavam à cidade vindos da África. Em uma das viagens, foram registrados 46 óbitos por banzo - termo historicamente associado a estados de profunda melancolia, nostalgia e sofrimento entre africanos escravizados. Pesquisadores têm questionado se mortes com esta classificação não tinham também relação com outros fatores da precariedade da viagem e maus tratos. Os fólios (páginas em livros manuscritos) encontrados em arquivos do Rio sobre as vistorias de saúde nos navios negreiros são o foco do novo livro de Nara Jr., intitulado "Corpos em Trânsito: Visitas de Saúde em Navios Negreiros (1791–1830)" (Letra Capital). Por enquanto o livro, que foi lançado na última semana, está sendo distribuído apenas em eventos, mas o autor planeja um lançamento comercial no futuro. Capa do livro 'Corpos em trânsito', de João Carlos Nara Jr. Divulgação Para Nara Jr, a documentação sobre as visitas de saúde mostra que o procedimento tinha como objetivo principal proteger a cidade de eventuais doenças trazidas nas embarcações com escravizados, e muito pouco ou nenhum interesse no bem-estar destas pessoas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça No final do século XVIII e na primeira metade do XIX, a chegada de navios negreiros ao Rio de Janeiro envolvia uma rede de inspeções, quarentenas e cobranças de taxas que moldaram a própria geografia do centro da cidade. Cerca de 2 milhões de africanos escravizados desembarcaram no Rio de Janeiro, segundo estimativas baseadas no banco de dados SlaveVoyages. Nara Jr. explica que a inspeção sanitária era realizada por uma equipe formada por um vereador, um médico e um escrivão. "O médico entrava com o vereador e o escrivão no navio para saber se a embarcação oferecia risco para a cidade. Não era uma questão de cura ou de saúde do passageiro, era uma defesa da cidade e do mercado", diz João Carlos, que é servidor da UFRJ e membro benemérito do Instituto…
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