Pesquisa revela que 39% das mulheres já recusaram oportunidade de trabalho por dificuldades de transporte
Rio de Janeiro30/10/2026 às 14:31
]]> Para muitas brasileiras, aceitar um emprego longe de casa ou estudar à noite depende não apenas do valor que será gasto com transporte e do tempo de viagem, mas também dos riscos ao longo do trajeto. Segundo a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, divulgada em setembro, 39% das entrevistadas já recusaram uma oportunidade de trabalho por dificuldades de transporte e 21% desistiram de um curso ou faculdade. O levantamento foi realizado pela Indique, em parceria com a 99 e consultoria da Think Eva, especializada em questões de gênero. De acordo com dados internos da empresa de mobilidade urbana e conveniência, mais de 60% de seus usuários são mulheres, e a pesquisa procurou conhecer melhor as dificuldades enfrentadas por esse público para circular pelas cidades. Foram ouvidas 564 brasileiras entre junho e julho de 2026, em dez capitais, incluindo o Rio de Janeiro. Para 89% das participantes, a mobilidade urbana está diretamente ligada às oportunidades de trabalho, estudo e lazer. O levantamento também revelou a frequência do assédio: quase nove em cada dez entrevistadas relataram ter sofrido alguma situação desse tipo durante os deslocamentos. Os maiores índices foram registrados nos ônibus (68,8%) e nos percursos a pé (60,8%). Os obstáculos no caminho Calçadas estreitas ou malconservadas e ruas mal iluminadas complicam a vida de quem anda a pé. Nos bairros com poucas linhas de ônibus, chegar ao ponto ou voltar para casa exige longas caminhadas, às vezes por locais desertos. Entre as entrevistadas, 54% já evitaram ou recusaram compromissos profissionais por dificuldades de deslocamento, 68% precisaram sair de casa muito antes do desejado pela falta de condução no bairro e 73% planejam horários e rotas pensando em segurança. Para evitar situações de violência, 63% delas deixam de utilizar determinados meios de transporte e 60% alteram seus trajetos. — Estamos falando de mulheres que precisam negociar riscos o tempo inteiro para conseguir circular pela cidade — explica Amanda Abreu, cofundadora da Indique. Para as mulheres negras, há ainda o racismo. Na pesquisa, 38% das participantes relataram tratamento diferente por causa da cor da pele em ônibus, metrôs ou…
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