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Jovem Rio News

O que Nossa Senhora Aparecida revela sobre a cultura e o racismo no Brasil

Rio de Janeiro 10/10/2026 às 08:04
O que Nossa Senhora Aparecida revela sobre a cultura e o racismo no Brasil
]]> Entre as promessas feitas em momentos de sufoco e manifestações de fé que atravessam gerações, a devoção à Virgem Maria no Brasil não se limita ao sagrado, mas ganha diferentes formas de expressão que ajudam a contar a história do país. É por esse caminho que o historiador e professor Luiz Antonio Simas pesquisa, em “Tantas Marias” (Civilização Brasileira, R$ 59,90), seu novo livro, lançado na próxima segunda, as relações entre Nossa Senhora, a cultura popular e a formação do Brasil. Segundo ele, que vai destrinchar a obra numa aula pública às 14h, no Bar do Bode Cheiroso, no Maracanã, a devoção a Maria mostra como as crenças se misturam às experiências culturais de cada lugar. No caso da padroeira do Brasil, a representação é de uma santa negra, com um espaço importante, mas que carrega as contradições de uma sociedade racista. — A Virgem Maria aparece com características das culturas locais: indígena em Guadalupe (México); camponesa em Lourdes (França); negra no Brasil. O que, por um lado, fortaleceu um discurso, sobretudo na Era Vargas, que buscou legitimá-la como exemplo de harmonia entre as raças, por outro demonstrou o contrário: esse discurso conciliador encobriu a violência e o racismo expressos diariamente no Brasil — explica o escritor. A pesquisa sobre as diferentes faces de Maria dá continuidade a um interesse que ele já tinha explorado num livro dedicado a São Jorge. Mas em “Tantas Marias”, essa presença se espalha por muitas vertentes: — Maria está presente no futebol, na música popular, nos desfiles de escolas de samba, na culinária amazônica, no vai e vem das ruas... Nossa Senhora é símbolo de um Brasil possível como projeto de liberdade e respeito às diferenças. Recentemente, Nossa Senhora foi assunto nas campanhas eleitorais, sendo defendida e atacada. Para Simas, o debate deve partir da defesa da liberdade religiosa, incluindo o direito até de não professar fé alguma. — É importante que a religião esteja no centro do debate público, não a partir da desqualificação da fé do outro, mas a partir da luta por liberdade de culto, de crença e de descrença. Há um processo que se desenha há anos de disputa por um mercado religioso e montagem de um…
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