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Jovem Rio News

No futebol, somos todos culpados até que se prove o contrário

Esportes 06/11/2026 às 10:00
No futebol, somos todos culpados até que se prove o contrário
]]> Mirassol sai atrás, mas consegue a virada e rebaixa a Chapecoense O gol contra de Anderson, da Chapecoense, e o pênalti cometido por Rodrigo Moledo, do Coritiba, coincidem no inusitado. Não é todo dia que vemos um goleiro empurrar a bola contra o próprio gol ou um zagueiro dar uma voadora dentro da área nos acréscimos de uma partida. Daí a se tornarem lances suspeitos, vai (ou deveria ir) um grande caminho. O futebol permite algumas crueldades, talvez para compensar o tanto de beleza que nos entrega. Uma delas é a permissividade com a desconfiança sobre o caráter alheio – como se, em uma distorção da lei básica da civilidade, todos fossem culpados até que se prove o contrário. Aos 45 min do 2º tempo - pênalti cometido de Rodrigo Moledo do Coritiba contra o Internacional Até que se prove o contrário, Anderson sofreu um frango. Um lance constrangedor, um erro grosseiro, mas um lance, um erro – e nada mais do que isso. Até que se prove o contrário, Rodrigo Moledo fez uma escolha desbaratada, um movimento atrapalhado, mas uma escolha, um movimento – e nada mais do que isso. Desconfiar do caráter de jogadores por falhas cometidas no mais caótico dos esportes é covardia. A característica essencial do futebol é estar o tempo todo na fronteira entre o épico e o trágico. É por isso que ele simula a vida com tamanha perfeição: a cada esquina, não sabemos se encontraremos o amor de nossas vidas ou um carro desgovernado. Rodrigo Moledo, zagueiro do Coritiba Paulo De Tarso É particularmente lamentável ver ex-jogadores, muitos deles de comportamento bastante contestável ao longo da carreira, fazendo ilações sobre os erros cometidos pelos atletas. Uma coisa é a conversa de boteco entre torcedores; outra é usar um microfone para alimentar suspeitas. Como pano de fundo, temos toda a vergonha vivida pelo futebol brasileiro nos últimos anos, com jogadores, alguns de clubes grandes, negociando com apostadores de dentro de vestiários ou concentrações. É por isso que deveriam ter sido punidos severamente: porque seus atos contaminaram a credibilidade do esporte. Eles ajudaram a criar um ambiente de paranoia, em que erros como os desta rodada já nascem com um selo de desconfiança.…
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