MP das bets estoura a bolha, e mercado prevê queda nos valores dos patrocínios em 2027
Rio de Janeiro18/10/2026 às 06:00
]]> A uma semana de completar seu primeiro mês, a MP das bets, que proíbe o funcionamento das casas de apostas no Brasil, publicada no dia 25 de setembro, já é vista como um divisor de águas na economia dos clubes. E por um motivo simples: ainda que ela, a MP 1.394/2026, seja revista em futuro próximo, o patamar dos contratos publicitários não deverá ser mais o mesmo. Na avaliação de profissionais deste setor, os acordos deverão voltar a valores pagos até julho de 2025. Na última semana, em conversas com executivos comerciais que atuam na construção da parceria entre clubes e bets, ficou claro: a bolha estourou. E a conclusão é de que a falta de regulamentação específica misturou jogos de azar com apostas esportivas, e essa liberalidade elevou o ganho das casas a níveis estratosféricos. Os clubes mais populares surgiram como parceiros estratégicos, e quem soube tirar proveito escalou os ganhos a valores impactantes. Como o Flamengo, por exemplo. Em dezembro de 2021, o rubro-negro firmou contrato com a Pix Bet recebendo R$ 48 milhões por ano na cota master. Dois anos depois, com a regulamentação das bets, foi a R$ 115 milhões. E, em agosto do ano passado, saltou para R$ 268 milhões com a chegada da Betano — 459% de valorização em 56 meses. Crescimento que acabou impactando também nos acordos dos rivais. O Fluminense, hoje um coirmão parceiro, teve, no mesmo recorte, crescimento de 259% no valor do patrocínio. No entanto, a estimativa agora é bem pessimista. Ainda que caia por decurso de prazo ou que seja refeita no Congresso, a MP das bets arranhou o cristal. E, como ocorreu com bolhas desfeitas ao longo de outras décadas, exigirá readequação nos orçamentos. O Flamengo talvez retorne a algo em torno dos R$ 115 milhões (57% a menos); e o Fluminense, aos R$ 40 milhões da base fixa pagos pela Superbet até março deste ano — 24,5% a menos do que os atuais R$ 53 milhões. Entendem agora o desespero de quem fez aquisições parceladas contando com este aporte? O tricolor já tem dificuldades de cumprir com o pagamento das parcelas do Regime Centralizado de Execuções (RCE), utilizado na quitação das dívidas trabalhistas. E o rubro-negro, sem folga no caixa, paralisou obras…
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