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Mitomania: como funciona o fenômeno psíquico que gera o mentiroso patológico

Destaques 30/09/2026 às 11:31
Mitomania: como funciona o fenômeno psíquico que gera o mentiroso patológico
]]> Quadro “O Bobo da corte”, obra do século XVI de Jacob Cornelisz van Oostsanen, é uma representação histórica e universal da figura do mentiroso. Em tempos de eleições, em que mentiras correm soltas, o presidente da Academia Nacional de Medicina Antonio Egídio Nardi escreve sobre as origens e características da mitomania, a patologia da mentira compulsiva. Domínio Público Mentir é um comportamento humano universal. A mentira pode proteger a intimidade, evitar conflitos, preservar vínculos ou produzir vantagens sociais. Existe, entretanto, uma diferença importante. E vale esclarecer a diferença entre mentira ocasional, dirigida a finalidade compreensível, e a mentira patológica. Esta é aquela tradicionalmente denominada pseudologia fantástica ou mitomania. Nessa condição, a fabricação de histórias torna-se persistente, desproporcional e, por vezes, aparentemente compulsiva. Essa condição passa a constituir uma característica marcante do funcionamento interpessoal do indivíduo. Descrita na literatura psiquiátrica há mais de um século, a pseudologia fantástica permanece uma entidade controversa. Não constitui, atualmente, um diagnóstico independente nos principais sistemas classificatórios. Ainda assim, estudos contemporâneos sugerem que a mentira patológica pode produzir sofrimento e prejuízos sociais e ocupacionais suficientemente significativos. Isso para justificar sua consideração como fenômeno psicopatológico específico. VEJA TAMBÉM: Agora no g1 As histórias do mitômano frequentemente contêm uma combinação peculiar de realidade e fantasia. Não são necessariamente impossíveis. Ao contrário, podem nascer de acontecimentos verdadeiros progressivamente modificados, ornamentados e ampliados. Em muitos casos, colocam o narrador em posição excepcional, vítima de acontecimentos extraordinários, protagonista de realizações improváveis ou personagem central de situações dramáticas. Um aspecto importante é que isso difere do delírio porque diante de evidências inequívocas, a pessoa reconhece que determinados fatos narrados não ocorreram. Uma revisão sistemática recente reforça a heterogeneidade do fenômeno. Entre os casos publicados, aparecem frequentemente…
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