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Martinho da Vila tem razão em rejeitar junção de sambas-enredo, pois gênero é arte, não peça na máquina do Carnaval

entretenimento 16/09/2026 às 12:35
Martinho da Vila tem razão em rejeitar junção de sambas-enredo, pois gênero é arte, não peça na máquina do Carnaval
]]> Ao rejeitar união de dois sambas-enredo, Martinho da Vila prova amor à escola que traz no sobrenome artístico desde os anos 1960 Leo Aversa / Divulgação ♫ OPINIÃO ♬ A confusão em torno da escolha do samba-enredo com o qual a escola Unidos de Vila Isabel irá disputar o Carnaval de 2027 – com enredo baseado no livro “Torto arado” (2019), do escritor Itamar Vieira Junior – mostra como as agremiações vem atravessando o samba nesse quesito tão importante na hora do desfile. Na disputa para eleger o samba campeão, travada no sábado, 12 de setembro, a diretoria da Vila Isabel escolheu o campeão ao juntar dois sambas. Precisamente, o refrão da composição de Paulo César Feital, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins, Gabriel Simões, Gustavinho Oliveira e Thales Nunes foi acoplado a outro samba, o assinado por Martinho da Vila – Presidente de Honra da escola e autor de sambas-enredo antológicos desde a segunda metade dos anos 1960 – com André Diniz e Evandro Bocão. A questão é que Martinho, em nome da arte de fazer samba, desafinou o coro dos contentes e protestou contra a junção dos dois sambas. Diante da importância e do prestígio do compositor fluminense, que exigiu a retirada do nome dele do samba resultante da junção, a diretoria da Unidos de Vila Isabel voltou atrás e em reunião feita na segunda-feira, 14 de setembro, desfez a junção dos sambas-enredo, elegendo campeão somente o samba de autoria da trinca encabeçada por Martinho. A reversão provocou revolta na ala de compositores do outro samba. Paulo César Feital adotou discurso mais diplomático, defendendo a junção, mas acatando a decisão da diretoria da Vila Isabel. Já Gabriel Simões, Gustavinho Oliveira e Thales Nunes protestaram, revoltados, cogitando inclusive sair da escola. Egos à parte, Martinho da Vila está coberto de razão. Samba-enredo é arte, não uma peça na engrenagem empresarial do Carnaval carioca. Aceitar a junção – prática que nos últimos anos vem se tornando recorrente nas escolas, diga-se – seria assinar embaixo dessa forma mais fria e racional de formatar samba-enredo. Foi-se o tempo que um, dois ou três compositores se juntavam para fazer um samba para a escola do coração. Hoje existem…
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