Heroína do Agreste: documentário Vitória da Paz estreia no Festival do Rio
Rio de Janeiro03/10/2026 às 07:00
]]> De Quebrangulo, no agreste de Alagoas, para uma janela diante da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. Entre esses dois lugares existe uma história de dor, coragem e, sobretudo, de resistência. É a história de Joana Zeferino da Paz, a alagoana que o Brasil conheceu como Dona Vitória, através das páginas do EXTRA, após a idosa de 80 anos denunciar o tráfico na Zona Sul do Rio. Agora, essa trajetória ganha uma nova tela. “Vitória da Paz”, documentário dirigido por Ricardo Calil, Fábio Gusmão e Dudu Levy, terá sua première mundial no Festival do Rio. O filme resgata a história da mulher real que inspirou “Vitória”, longa de Andrucha Waddington estrelado por Fernanda Montenegro. Se o cinema já contou essa história pela ficção, agora são as próprias imagens de Joana que voltam para contar o que aconteceu. — Cerca de 90% do filme é composto pelas imagens que ela gravou ao longo de mais de dez anos com a sua câmera de vídeo amadora. É uma janela indiscreta com uma heroína brasileira —resume Calil. Joana nasceu na cidade de Quebrangulo e teve uma vida marcada por dificuldades desde muito cedo. Ainda jovem, sofreu violência sexual, engravidou e perdeu o filho antes dos dois anos de idade. Trabalhou como empregada doméstica, depois tornou-se massoterapeuta e construiu no Rio de Janeiro uma vida que parecia ter encontrado algum descanso. Comprou seu apartamento na Ladeira dos Tabajaras, onde viveu por 36 anos. Mas foi justamente da janela daquele apartamento que, Dona Joana decidiu olhar para o que acontecia à sua frente. Em 2003, cansada de denunciar a presença do tráfico, comprou uma câmera de vídeo e passou a registrar a movimentação criminosa. Filmou o comércio de drogas, homens armados e a rotina de uma estrutura que operava diante dos olhos de moradores e autoridades. As fitas gravadas por Joana chegaram às mãos do jornalista Fábio Gusmão, então repórter de polícia do EXTRA. Ele mergulhou na história, aproximou-se daquela mulher e transformou as imagens em uma investigação jornalística. As gravações ajudaram a desencadear uma operação que levou à expedição de mais de 30 mandados de prisão e à prisão de traficantes e policiais. Ela morreu em 2023, aos 97 anos, na…
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