‘Gatos’ se espalham por serviços públicos essenciais
Rio de Janeiro14/10/2026 às 14:45
]]> A pirataria no setor de serviços essenciais — como água, luz, internet e gás de cozinha (GLP) — atingiu um patamar no Brasil que impõe ao Estado o desafio de recuperar espaços nos quais o crime organizado exerce controle econômico e territorial. Combate à fraude: Empresas usam rastreamento para evitar roubos e falsificação ANP: Rio tem o maior número de postos de combustível nota zero entre as maiores cidades do país As perdas de energia — consumida, mas não faturada por causa de furtos, fraudes em medidores, erros de leitura e falhas no faturamento — em 2025 atingiram o maior patamar dos últimos 15 anos: 45 terawatts-hora (TWh), correspondendo a 7,1% de toda a energia injetada no sistema ao longo do ano. Isso é suficiente para suprir o consumo nacional de eletricidade por quase um mês, segundo Ricardo Brandão, diretor de regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). O custo estimado com o desvio de energia chegou a R$ 11,5 bilhões. Desse total, R$ 7,9 bilhões são repassados ao consumidor, o que representou impacto de 3,1% na conta de luz: —O restante foi absorvido pelas distribuidoras. Mas o impacto não é apenas financeiro. No ano passado, foram registradas 650 mil interrupções no fornecimento de energia associadas ao crime de furto, com duração média de cinco horas, que afetaram mais de 3 milhões de consumidores. Além disso, as ligações clandestinas e fraudes podem sobrecarregar a rede, provocar danos à infraestrutura e comprometer a qualidade e a continuidade do abastecimento. — O problema dos gatos deixou de ser pontual para assumir uma dimensão estrutural — diz Brandão. Comércio ilegal na porta da loja formal: produtos falsificados disputam espaço com quem paga imposto O setor de gás de cozinha lida com duas modalidades de comércio ilegal: pontos de venda não autorizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) e as vendas em regiões dominadas pelo crime organizado. No primeiro caso, há riscos para os consumidores e a vizinhança por causa da precariedade das condições de armazenamento de botijões, enquanto no segundo ocorre o monopólio de fornecimento a preços de duas a três vezes…
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