Excesso de peso ultrapassa pressão alta e vira o principal fator de risco à saúde do brasileiro
Destaques29/09/2026 às 08:00
]]> Martino Galliano, de 57 anos, passou por uma cirurgia no coração em 2013 e sofreu um infarto em 2022 Arquivo Pessoal O coração de Martino Galliano já passou pelo que o Brasil aprendeu a tratar e pelo que o país ainda não consegue conter. Em 2013, uma cirurgia desobstruiu a artéria que estava 98% fechada, e ele chegou a perder 80 kg na reabilitação. Nove anos depois, com parte do peso de volta, sofreu um infarto. A trajetória dele se repete num estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. A pesquisa mostra que o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou, em 2023, o principal fator de risco à saúde do brasileiro, à frente da pressão alta. Em 1990, o IMC ocupava o sétimo lugar. No mesmo período, o país conseguiu reduzir as mortes por infarto e por acidente vascular cerebral (AVC), que foram as causas que mais contribuíram para o aumento da expectativa de vida. Os pesquisadores atribuem esse ganho ao controle da hipertensão e à queda do tabagismo. O peso seguiu o caminho inverso: entre todos os fatores de risco analisados, o IMC e a glicose alta foram os que menos recuaram em mais de três décadas. Martino, hoje com 57 anos e aposentado, chegou a pesar 172 kg. Quando descobriu o problema no coração, estava com 130 kg e não sentia nada. A obstrução apareceu num teste ergométrico de rotina e estava no tronco da coronária esquerda, a artéria que irriga a maior parte do coração. A cirurgia resolveu a artéria, mas não resolveu o peso. Para o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), a recaída de Martino não representa uma falha individual, e sim o comportamento esperado de uma doença crônica. "A obesidade não tem cura, tem controle. O organismo guarda a memória do maior peso e trabalha o tempo todo para recuperá-lo", afirma. g1 em 1 Minuto: 66% associam obesidade a escolhas pessoais, aponta levantamento O fator que não cedeu A análise faz parte do Estudo Global de Carga de Doenças (GBD, na sigla em inglês), conduzido pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME, na sigla…
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