Ex-premier diz que voltará a Bangladesh apesar de ter sido condenada à morte
Rio de Janeiro05/11/2026 às 11:42
]]> A ex-primeira-ministra de Bangladesh Sheikh Hasina, deposta em uma revolta popular em 2024, declarou à agência Associated Press que vai retornar ao país asiático no próximo mês, apesar de ter sido condenada à morte em razão da repressão violenta de seu governo contra manifestantes. Os protestos eclodiram inicialmente por causa de um controverso sistema de cotas para empregos públicos, mas rapidamente se transformaram em uma revolta nacional contra o governo autoritário de Hasina e em meio a uma crise econômica, com cerca de 18 milhões de jovens no país buscando emprego. Hasina, de 79 anos, fugiu para a Índia depois que protestos liderados por estudantes a forçaram a deixar o poder. Desde então, a Justiça de Bangladesh vem tentando a extradição da ex-premier e do ex-ministro do Interior Asaduzzaman Khan Kamal, que também foi condenado à morte e escapou ao país vizinho. Em 2025, um tribunal especial de Bangladesh condenou Hasina à morte por crimes contra a Humanidade, determinando que ela foi a responsável por ordenar uma violenta repressão à onda de protestos, a qual resultou em centenas de mortos e milhares de feridos. Um relatório das Nações Unidas informou que cerca de 1.400 pessoas foram mortas. Hasina nega qualquer irregularidade. Ela também rejeitou o veredito do tribunal e contestou a legitimidade do julgamento. A ex-premiê, que comandou o Bangladesh por 15 anos, era considerada uma das mulheres mais poderosas da Ásia. De acordo com dados do Banco Mundial, dezenas de milhões de bengaleses saíram da extrema pobreza desde o ano 2000, com a taxa de população abaixo da linha nacional de pobreza caindo expressivamente. O país registrou taxas de crescimento do PIB superiores a 8% ao ano, impulsionadas principalmente por um forte setor de fabricação têxtil e de vestuário. O PIB per capita de Bangladesh ultrapassou a marca de US$ 2.000, colocando-o no patamar de economia de renda média e distanciando-o do topo da lista de países mais pobres da região.
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