'Eu não quero morrer, quero parar de sentir dor': os anos sem diagnóstico que levaram jovem a pedir a eutanásia
inicio22/09/2026 às 09:36
]]> A colombiana Melisa Gaona Arquivo Pessoal Numa das muitas vezes em que chegou a um pronto-socorro dobrada de dor, a colombiana Melisa Gaona ouviu que não havia o que fazer ali: ela não era "uma urgência vital", lhe disse o médico, mandando-a de volta para casa. Em outro momento, diz ela, quando insistiu que o que sentia era insuportável, um profissional respondeu que se ela queria morrer, que se matasse. Melisa tem 26 anos, nasceu em Bogotá e convive desde a infância com endometriose, doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele. No caso dela, chegou ao estágio mais grave, comprometendo órgãos e sua rotina. "Dói comer, dói andar, dói evacuar, dói urinar", ela resume. "Isso já não é normal." Em 2025, depois de anos de cirurgias, medicamentos e internações sem alívio duradouro, Melisa tomou uma decisão que repercutiu dentro e fora da Colômbia: formalizou um pedido de eutanásia. Agora no g1 A ideia surgiu em 2025, quando ela estava internada. Melisa relembra que mal sabia o que a palavra eutanásia significava. Escreveu o pedido sob uma única premissa: a de que já não sentia estar vivendo com dignidade. "Não porque eu não quisesse a vida", explica em entrevista à BBC News Brasil, "mas porque eu não queria continuar sofrendo com a dor. O pedido veio mais do desejo de não sentir mais dor." Na época, a jovem gravou um vídeo que viralizou, em que afirmava estar presa em uma espiral de sofrimento. Tornar tudo público foi a forma que encontrou de ser levada a sério, segundo ela. Só que a exposição teve um custo: passou a receber mensagens de estranhos mandando que se matasse. "Ouvi muitas vezes que não tinha dignidade. Mas o que é dignidade?", questiona. "Eu tenho dignidade porque sei o que é sentir dor. É o momento em que a gente diz: 'já não aguento mais'." O pedido, porém, foi negado. Melisa não parou por aí. Com acompanhamento jurídico do DescLAB — organização colombiana que litiga pelo direito à morte digna — levou o caso à Justiça por meio de uma ação de tutela, o recurso a que recorrem, no país, os pacientes que têm o procedimento recusado. Desde então, ela passou a repetir uma frase: "Eu não quero morrer,…
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