Estudo indica que, no Rio, em 74,4% de casos de solicitação de imagens de câmeras policiais houve ausência ou indisponibilidade de registros
Rio de Janeiro22/10/2026 às 09:00
]]> A médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, ginecologista que tratava mulheres com endometriose, saía da casa dos pais, em Cascadura, no dia 15 de março deste ano, quando teve o carro metralhado por policiais. Agentes do 9º BPM (Rocha Miranda) faziam buscas por um Toyota Corolla prateado, usado por assaltantes, e relataram ter confundido o veículo com o carro branco da vítima. Dias depois do crime, a Polícia Militar informou que as câmeras corporais das fardas estavam descarregadas. Apesar do Ministério da Justiça e Segurança Pública ter regulamentado, em 2024, o acionamento dos dispositivos em ocorrências, buscas de veículos, interações entre policiais e custodiados, entre outras ações de forças de segurança, uma pesquisa publicada ontem pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) aponta que, no Rio, é raro imagens de câmeras policiais se transformarem em prova no processo penal. De 117 acórdãos de segunda instância analisados de 2023 a 2024, em 74,4% dos casos fluminenses há ausência ou indisponibilidade da imagem. Entre os motivos relatados nos processos para a não utilização estão: não acionamento das câmeras, falta de equipamento nas fardas policiais e não arrolamento. Dos mais de cem, apenas em nove imagens foram anexadas. O percentual do Rio supera o dos dois outros estados analisados, São Paulo e Santa Catarina. Saiba mais: Polícia Militar apreende bazuca antidrone e três fuzis na comunidade Para-Pedro Leia também: Bondes de Santa Teresa têm circulação interrompida nesta quarta-feira por obras da Light Ontem, foi anunciado que as forças de segurança do Estado terão ainda mais câmeras corporais a partir de março do ano que vem. A compra foi uma das demandas do Ministério Público do Rio (MPRJ) após serem identificadas falhas de dispositivos na Operação Contenção, que deixou 122 mortos em outubro de 2025 e foi a mais letal do estado. Mesmo com mais câmeras, ainda é preciso fiscalizar uso e permanência de registros para futuras investigações. — A câmera não garante a produção de prova. O Rio de Janeiro tem um histórico de violência endêmica perpetrada por instituições policiais. Por muitos anos, ficou marcada como a de maior letalidade no…
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