Entre vinhos e memórias, a Vinícola Dezem celebra o sabor da família
Destaques27/10/2026 às 13:00
]]> O sol da tarde desenha sombras no chão avermelhado de ferro. O vento corre leve entre as fileiras de espaldeira, enquanto o guia Danilo Dezem convida o grupo a seguir viagem pelos parreirais de uvas Merlot, Cabernet e Taná. A cena poderia ser de uma vinícola europeia, mas acontece no coração do Oeste paranaense, em Toledo, na Vinícola Dezem, uma das mais tradicionais da região. Filho do fundador, Danilo transforma cada explicação técnica em um mergulho na história da propriedade. Entre risadas, curiosidades sobre fungos e formatos de barricas, o visitante percebe que há algo de diferente naquele lugar. E essa diferença começa pela motivação que o ergueu. “A Dezem, apesar de ser uma empresa lucrativa, nunca teve como objetivo o lucro. O objetivo sempre foi reunir a família, reviver os momentos dos italianos, a colheita, a poda, o trabalho conjunto”, conta Danilo. Um sonho que começou no sótão A história da vinícola nasceu muito antes da primeira garrafa ser engarrafada. O patriarca, Amélio Dezem, foi balconista, empresário e empreendedor em vários ramos, mas nunca abandonou um sonho de infância: ter uma vinícola própria. Quando criança, ele passava as tardes no sótão com o avô, um tanoeiro que consertava pipas de madeira por hobby. Era lá, entre o cheiro da madeira úmida e o gosto do vinho recém-feito, que ouvia histórias da chegada da família ao Brasil e da colheita das uvas na Itália. Foi nesse sótão que guardou o desejo de, um dia, recriar aquela lembrança. Décadas depois, com o trabalho consolidado e a família formada, Amélio decidiu transformar o terreno de soja em um espaço dedicado ao vinho e à convivência. A estrutura da Vinícola Dezem foi construída do zero, inaugurada em 2004, e hoje soma mais de 20 anos de história. “Meu pai falava que o vinho era o jeito mais bonito de juntar gente. Ele vinha todos os dias, mesmo quando já estava doente, só pra ver como estavam as plantas ou as barricas”, relembra Danilo. O espaço subterrâneo da vinícola guarda uma das homenagens mais tocantes. A cave dedicada a Amélio mantém, no chão, a pintura original feita por ele e pela esposa. “Meu pai gostava de pintar paredes e o chão. Quando fomos reformar, mantive o…
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