Entenda como a crise de um banco digital derrubou o presidente do Paraguai em apenas dois dias
Rio de Janeiro06/11/2026 às 10:09
]]> Na última terça-feira (dia 3), cerca de três milhões de clientes de um dos principais bancos do Paraguai perderam acesso às suas contas. Nesta quinta-feira, encurralado pelo escândalo, o presidente Santiago Peña perdeu o apoio de seu partido e anunciou sua renúncia. Em apenas dois dias, a derrocada do Ueno Bank, vinculado ao presidente aliado dos Estados Unidos, levou centenas de manifestantes às ruas de Assunção e os deputados a votar por unanimidade a favor de submetê-lo a um processo de impeachment. Confira a seguir os fatos-chave que determinaram a queda de Peña: Terça-feira: o banco O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou a intervenção do Ueno Bank. Seu índice de solvência tinha caído abaixo da metade do mínimo exigido. O banco tinha cerca de três milhões de clientes em um país de 6,4 milhões de habitantes. Também gerenciava fundos do Instituto de Previdência Social e do Ministério da Economia e Finanças. O Ministério Público ordenou a detenção de oito diretores do banco. No mesmo dia, a pedido de Peña, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou. Ele tinha presidido a financeira Ueno antes de assumir o cargo no organismo regulador. Peña, que chegou à Presidência em 2023 com mandato até 2028, foi acionista até março do ano passado do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Quarta-feira: protestos e acusação Com os depósitos bloqueados, Peña promulgou, na quarta-feira, uma lei para devolver a maior parte do dinheiro em menos de uma semana. Na mesma quarta-feira, 35 deputados, entre opositores e dissidentes do governo, apresentaram uma acusação para submeter o presidente e seu vice, Pedro Alliana, a um julgamento político. Atribui-se a Peña um conflito de interesses e ele foi acusado de favorecer o banco com decisões regulatórias e depósitos de fundos previdenciários. À noite, centenas de pessoas protestaram em Assunção pelo segundo dia consecutivo. Os poupadores exigiam a retirada de seu dinheiro e alguns exibiam cartazes com o lema "Julgamento político contra Santi Peña". "Devolvam nossa grana", repetiam em coro. Houve confrontos com a polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo e caminhões hidrantes para dispersar os manifestantes.…
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