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Dívidas das famílias com problema de pagamento atingem maior nível desde 2012, diz BC

Rio de Janeiro 27/10/2026 às 14:48
Dívidas das famílias com problema de pagamento atingem maior nível desde 2012, diz BC
]]> A parcela das dívidas das famílias com problema de pagamento atingiu o maior nível desde 2012, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central (BC). Os chamados ativos problemáticos são créditos com atraso superior a 90 dias ou com indícios de que não serão pagos integralmente. Eles representavam 9,2% da carteira de crédito às pessoas físicas em junho de 2026. Pouco antes, o indicador havia chegado a 9,3%, o pico da série. Em 2021, no ponto mais baixo, estava em 6,3%. A piora atingiu todas as modalidades no primeiro semestre. Em quatro delas, o indicador alcançou o maior patamar da série: cartão de crédito (chegou a 13,2% e fechou junho em 12,7%), crédito rural (10,3%), veículos (8,5%) e consignado (5,0%). No crédito pessoal não consignado, a taxa é de 14,9%, a mais alta entre as linhas, mas ainda abaixo do pico de 16,5% registrado em 2016. Inadimplência Segundo o BC, a inadimplência foi o principal motor da alta. Desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN) deixou a cargo dos bancos a decisão sobre quando dar uma dívida como perdida. Com isso, as operações em atraso passaram a ficar mais tempo nos balanços, o que eleva os indicadores. O BC estima que, sem essa mudança, a inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual menor em junho, o equivalente a cerca de 45% da alta registrada desde dezembro de 2024. O relatório ressalta, porém, que a inadimplência teria subido mesmo com as regras antigas. O pano de fundo é o aperto no orçamento das famílias. Mesmo com o desemprego em queda e o salário médio em alta, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu o nível mais elevado em 21 anos, segundo o BC. O impacto é maior entre os tomadores de menor renda e vem sobretudo de linhas caras, como o cartão e o crédito pessoal sem garantia. Em junho, 20,3 milhões de pessoas se enquadravam no critério de “endividados de risco” do BC, o equivalente a 17% dos devedores do sistema financeiro e 75% a mais que em junho de 2021. Perspectiva A perspectiva não é de alívio no curto prazo. “A materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo”, afirma o relatório. As…
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