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'Descobri pelas redes sociais que ele estava morto': o duplo castigo aos condenados na Arábia Saudita, um dos países que mais aplicam a pena de morte

Destaques 27/09/2026 às 18:52
'Descobri pelas redes sociais que ele estava morto': o duplo castigo aos condenados na Arábia Saudita, um dos países que mais aplicam a pena de morte
]]> Kibrom Kinfe Aregawi e Tsigabu Gebremariam (à direita) estão entre os cinco etíopes executados em 23 de junho, cujos corpos não foram devolvidos às suas famílias Handout/BBC "Fazemos todas essas cerimônias para ajudar nossa família a encontrar alívio e aceitar que ele morreu. Mas eu não encontrarei consolo." São as palavras de Kinfe Aregawi, um pai que chora a morte de seu filho, Kibrom. "Isso significará uma vida inteira de pesar e dor para mim", lamenta. Kibrom Kinfe Aregawi foi um dos cinco etíopes executados em junho deste ano por contrabandear maconha para a Arábia Saudita, um dos países que mais executam pessoas no mundo, atrás apenas da China e do Irã. Um enterro religioso formal é um elemento essencial da fé de muitos cristãos ortodoxos etíopes: o corpo é envolto em uma mortalha cerimonial e colocado em um caixão de madeira. Isso não pôde acontecer durante as cerimônias dedicadas ao jovem de 25 anos, já que seus restos mortais não foram repatriados. Agora no g1 Famílias sem respostas A Arábia Saudita executou 116 pessoas até 27 de julho, segundo a Human Rights Watch (HRW). "A recusa em devolver um corpo não é uma mera questão administrativa. Ela estende a punição à família da pessoa executada", afirma Duaa Dhainy, pesquisadora sênior da Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos (ESOHR) e consultora de casos da Reprieve MENA (Oriente Médio e Norte da África), uma organização beneficente que defende pessoas vítimas de graves violações dos direitos humanos. A relatora especial da ONU sobre liberdade de religião ou crença, Nazila Ghanea, classificou a suposta prática saudita de reter os corpos como "tortura e abuso". Familiares afirmam que não foram avisados previamente sobre a execução dos cinco etíopes, realizada em 23 de junho no centro de detenção de Khamis Mushait, na província de Asir, no sul da Arábia Saudita. Os pertences pessoais e as certidões de óbito de seus entes queridos também não foram entregues às famílias. Kibrom Kinfe Aregawi viajou pela primeira vez para a Arábia Saudita em 2020 — sem um visto válido — acompanhado de seu pai, também chamado Kinfe. Eles foram detidos, ficaram presos por 15 meses e posteriormente foram…
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