De 'vaquinha' para custear transporte à seca dos rios: indígenas relatam dificuldades para votar no Pará
Destaques23/10/2026 às 08:00
]]> Jovem indígena com título de eleitor Rede Amazônica/Reprodução Em comunidades indígenas do Pará, a seca dos rios, as longas distâncias e a falta de transporte dificultam o acesso às urnas. Na Terra Indígena Paquiçamba, famílias ficaram sem votar no primeiro turno, mesmo após moradores organizarem viagens em carros particulares. Em outras comunidades, indígenas fazem campanhas para arrecadar dinheiro e custear o deslocamento até os locais de votação. Às vésperas do segundo turno, uma decisão da Justiça Federal determina que a União garanta transporte e alimentação para assegurar o direito ao voto. A indígena Eliete Juruna conta que a dificuldade começa ainda no deslocamento para fora do território. Com o rio seco, o transporte fluvial deixou de ser uma alternativa para as famílias, que passaram a depender de carros particulares. "A primeira dificuldade é que a gente agora não tem mais a navegação. A gente agora sai só por carro para votar e tem famílias que não têm transporte. Então, a gente enfrentou muita dificuldade", relata. Segundo Eliete, moradores que tinham veículos se organizaram para levar outras famílias até os locais de votação. O transporte precisou ser feito em etapas, com viagens de ida e volta para buscar mais eleitores. Mesmo assim, nem todos conseguiram votar. "A gente levou, fez duas viagens, levava no ponto de votação, retornava e levava mais família. Mas, mesmo assim, ficou família sem votar", conta. Eliete relata que a redução da vazão do rio, que ela associa aos impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, tornou o deslocamento ainda mais difícil. Segundo a indígena, uma viagem de barco exigiria sair da comunidade com um dia de antecedência, além de gastos com alimentação e hospedagem na cidade. "A gente tem que sair um dia antes, ainda fica mais dificultoso. E, além dos gastos para ir, tem o gasto quando chega na cidade. Teria que ficar no local para dormir, alimentação", explica. No primeiro turno, Eliete também enfrentou dificuldades para conseguir votar. Depois de transportar outros moradores, voltou ao local de votação e precisou enfrentar a fila. Ela conta que o deslocamento e a espera levaram horas. "Eu cheguei, eu voltei e já…
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