De uso de sucata a ordem para pintar peça após incidente: depoimentos revelam práticas da Voepass antes da tragédia de Vinhedo
Destaques05/11/2026 às 14:42
]]> Aeronaves da Voepass no Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP) Marcelo Moraes/EPTV Peças retiradas de uma aeronave sucateada abandonada no meio do mato, ordem para pintar uma peça de um avião após batida na pista e relatos de equipamentos inoperantes. Depoimentos de ex-funcionários e tripulantes da Voepass obtidos pela investigação da queda do voo 2283 revelam uma série de práticas que, segundo os relatos, faziam parte da rotina operacional da companhia antes da tragédia em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em agosto de 2024. As declarações foram prestadas à Polícia Federal durante a investigação sobre o acidente envolvendo o ATR-72 de matrícula PS-VPB. Os relatos são de um mecânico, de um copiloto e de uma ex-comissária que trabalharam na empresa. O g1 teve acesso aos documentos nesta quarta-feira (4), após a Justiça levantar o sigilo do processo nesta semana. Exclusivo: conversa entre comissária e mecânico réu por queda da Voepass revela preocupação com aviões 21 meses antes do acidente Ao todo, 12 pessoas tornaram-se réus e vão responder pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo, acusados tanto pela queda quanto pelo risco ao qual passageiros e tripulantes foram submetidos nos três voos realizados imediatamente antes do acidente pela mesma aeronave. Ordens de cima Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas Entre os réus do caso Voepass está Juliano Pacheco Flores, então gerente do centro de controle de manutenção da companhia. Em um dos trechos das oitivas, um mecânico afirma ter recebido ordens de Juliano para pintar uma peça da parte traseira do PS-VPB, após um incidente conhecido como "tail strike", quando a cauda da aeronave toca a pista durante pouso ou decolagem. "(...) o Juliano pediu para mim, para eu pintar o T-Skid de vermelho, com a lata de cor (...) aí, ele ficou com raiva (...) pintar T-Skid, isso não existe, falei não (...) isso eu não vou fazer", declarou. O caso relatado ocorreu em março de 2024, em Salvador (BA), meses antes da queda da mesma aeronave em Vinhedo. O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos…
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