Como tendência de compartilhamento de sangue pode estar alimentando nova crise de HIV
Destaques30/10/2026 às 13:29
]]> A prática de 'bluetoothing' visa fazer com que drogas intravenosas rendam mais Getty Images / BBC Na semana passada, Fiji declarou estado de emergência nacional devido ao aumento dos casos de HIV. O aumento acelerado das infecções transformou o arquipélago em um dos principais focos de expansão da epidemia no mundo. A decisão também foi um lembrete contundente de que, apesar do progresso global, o HIV e a AIDS continuam sendo uma ameaça significativa em algumas regiões e os surtos podem rapidamente sair do controle. Aproximadamente um em cada 60 adultos no arquipélago do Pacífico vive atualmente com o vírus, em comparação com um em cada 167 há cinco anos. Globalmente, estima-se que cerca de 41 milhões de pessoas tenham HIV, segundo a agência da ONU para a Aids, a Unaids. O que agrava ainda mais essa crise recente é a prática alarmante de compartilhamento de sangue entre usuários de drogas conhecida como bluetoothing. Ela consiste em retirar sangue de alguém que acabou de consumir uma droga e injetá-lo em outra pessoa para que esta obtenha o mesmo efeito. Os usuários consideram isso uma forma de economizar dinheiro, fazendo com que drogas intravenosas rendam mais. Essa prática também foi observada em países africanos, incluindo Lesoto, Zimbábue e África do Sul. A extensão do problema e sua parcela de responsabilidade pela crise em Fiji são controversas. No entanto, agentes comunitários de saúde afirmam que se trata de um problema real e estão pressionando governos e agências de saúde do mundo todo a levarem a questão a sério. "Quantas vidas precisamos perder antes de realmente fazermos algo a respeito?", questiona Kalesi Volatabu, diretor executivo da ONG Drug Free Fiji. Por que o bluetoothing é tão arriscado? O HIV é uma doença transmitida pelo sangue, portanto, o processo de transferência de sangue de uma pessoa para outra sempre traz o risco de transmissão do vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que essa prática cria um "risco excepcionalmente alto" de transmissão de outras infecções, incluindo hepatite B e C, além de infecções bacterianas graves. Compartilhar agulhas já é uma prática comum em Fiji, onde o acesso a equipamentos de injeção…
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