Chefes do CV seguem livres e moradores sofrem com extorsão e violência um ano depois de megaoperação no Alemão
Rio de Janeiro28/10/2026 às 09:30
]]> Paula (nome fictício), de 56 anos, nasceu e passou toda a vida na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Nas primeiras horas da manhã de 28 de outubro do ano passado, ela ouviu os primeiros tiros daquela que entraria para a história como a operação policial mais letal do Brasil. Ao longo do dia, os confrontos se intensificaram, sem que traficantes ou forças de segurança dessem sinais de recuo. A cada atualização, aumentava o número de mortos, até chegar a 122: 117 suspeitos e cinco policiais. Um ano depois, a promessa de tornar o conjunto de favelas mais seguro não se concretizou. Chefes do Comando Vermelho (CV) continuam a controlar as comunidades e, segundo as investigações, a ordenar dali invasões a outras áreas do estado. Enquanto isso, os moradores seguem submetidos à extorsão e ao monopólio de bens e serviços imposto pela facção. Para Paula, passado o impacto da megaoperação, a realidade permanece a mesma. — Falaram que a operação deixaria o complexo mais seguro, o que não aconteceu. Ainda vemos adolescentes armados e temos que pagar pela internet que eles querem que a gente tenha. A polícia chegou dizendo que ia tomar tudo de volta, mas, no fim das contas, foi embora — lamenta ela. Os sinais de que a ação não teria impacto duradouro no combate à violência apareceram em poucos dias. Menos de duas semanas depois da imagem de corpos enfileirados numa praça correr o mundo, traficantes já ocupavam uma base estratégica de observação no maciço que separa os complexos do Alemão e da Penha. Para Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, operações como a de outubro do ano passado não provocam prejuízos significativos à estrutura criminosa: — Tivemos uma mobilização grandiosa, mas o saldo concreto foi nulo. As mais de cem mortes e as dezenas de fuzis apreendidos viraram estatística descartável: homens e armas foram repostos com agilidade pelo CV. Na ponta, para a população que vive sob fogo cruzado, nada mudou: a facção segue controlando o território e operando com a sua estrutura de poder intacta. ‘Matou e foi embora’ Nos documentos oficiais, a megaoperação previa conter a expansão do CV, forçar o recuo da facção,…
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