]]> O Brasil é um país de muitas crenças, muitos caminhos espirituais e diferentes maneiras de se relacionar com o sagrado. Somos um povo que reza, canta, acende velas, bate cabeça, faz suas oferendas, participa de cultos, frequenta missas, entra em Terreiros, procura centros espíritas, respeita suas tradições indígenas e também escolhe viver sem seguir uma religião. Essa diversidade não é um detalhe da nossa sociedade. Ela faz parte da identidade brasileira. Os números do Censo 2022 ajudam a dimensionar essa realidade. Entre os brasileiros com 10 anos ou mais, 56,7% se declararam católicos, 26,9% evangélicos, 1,8% espíritas, 1% pertencentes à Umbanda e ao Candomblé, enquanto 9,3% disseram não ter religião. Há ainda outras religiosidades, tradições indígenas e pessoas que não souberam ou não quiseram declarar sua crença. São milhões de pessoas construindo suas relações com o sagrado de maneiras diferentes. E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes riquezas do Brasil: compreender que a fé de uma pessoa não precisa ser a fé de outra para que ambas sejam respeitadas. A religião, quando vivida com consciência, pode oferecer acolhimento em momentos de sofrimento, esperança diante das dificuldades e força para continuar caminhando. Pode reunir famílias, criar redes de solidariedade, alimentar ações sociais e oferecer ao indivíduo um espaço de pertencimento. Nos Terreiros de Candomblé e Umbanda, nas igrejas, nos templos, nos centros espíritas, nas comunidades indígenas e em tantos outros espaços de espiritualidade, existem pessoas buscando respostas para suas inquietações e procurando forças para enfrentar as dificuldades da vida. Cada tradição possui seus fundamentos, seus símbolos, seus ritos e sua maneira própria de compreender o mundo. Não precisamos misturar aquilo que é diferente para reconhecer o valor da convivência. Respeitar a fé alheia não é abandonar a própria fé Para nós, do Candomblé, falar de diversidade religiosa é também falar de resistência, pois as religiões de matriz africana são as mais perseguidas, discriminadas e tratadas como se não fizessem parte da história brasileira. Mas fazem. E fazem profundamente. Os Orixás atravessaram…
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