Arquivo do TJ revela histórias inéditas da escravidão em MG em documentos de quase 300 anos
Destaques14/10/2026 às 07:00
]]> Escravizados recorreram à Justiça para pedir liberdade Nomes, valores, decisões judiciais e a luta pela própria liberdade. Documentos guardados no Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Contagem, na Grande BH, estão ajudando a ampliar a história da abolição da escravatura no Brasil. Para chegar a esses registros, historiadores e equipes de apoio do tribunal mergulharam em um acervo de aproximadamente 600 mil processos. O que eles encontraram mostra a crueldade do sistema escravagista, mas, principalmente, a população negra como protagonista na luta pela própria alforria. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Um dos processos judiciais descobertos narra a história de um grupo de pessoas escravizadas que haviam sido penhoradas e seriam levadas a leilão. No entanto, o caso teve um desfecho diferente do habitual para a época: elas apresentaram ao Judiciário cartas de liberdade concedidas por antigos proprietários, conseguiram o reconhecimento da alforria e foram libertadas. "A função de um arquivo é dar acesso aos documentos e garantir direitos. Depois que ele vira um documento permanente, torna-se uma fonte de história. É importante para podermos compreender o passado de forma crítica, reconhecer as violências do período escravista e repensar os caminhos para um futuro de maior equidade", explica Giselle Cesário, gerente de Gestão Documental do TJMG. Acervo com 600 mil processos em Contagem, na Grande BH, traz relatos de pessoas usadas como garantia de dívidas e cartas de alforria carregadas no bolso para provar liberdade Reprodução/TV Globo O papel dobrado no bolso A prova de que a liberdade no papel não isentava a população negra da perseguição diária está materializada em um dos processos do século XIX. Ao folhear o documento, a equipe encontrou um papel dobrado repetidas vezes, até ficar minúsculo. Era uma carta de alforria. A coordenadora do Arquivo Permanente do TJMG, Sônia Santos, relata a conclusão a que a equipe chegou ao ver as marcas de desgaste daquele papel. "A pessoa que foi liberta, um homem, devia carregar aquela carta no bolso para, a todo momento, ter que provar que era livre. Imagino que ele…
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