AGU muda posição e pede ao STF que declare inconstitucional marco legal das bets
Rio de Janeiro03/10/2026 às 11:10
]]> A Advocacia-Geral da União (AGU) mudou de posição sobre a regulamentação das apostas on-line e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucional o núcleo das leis que permitiram e regulamentaram a exploração das bets no Brasil. Em manifestação enviada nesta sexta-feira ao ministro Luiz Fux, relator do caso, o órgão sustenta que o período de funcionamento do mercado mostrou que as medidas adotadas para reduzir os danos provocados pelas apostas foram insuficientes. A posição representa uma virada em relação a uma manifestação anterior da própria AGU e ocorre uma semana depois de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva editar uma medida provisória que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa em todo o país. Em outra ação sobre o tema, o órgão havia defendido ao Supremo que a legislação era "ainda constitucional, sujeita a processo de progressiva inconstitucionalização". Na ocasião, argumentou que a regulamentação era recente e seus efeitos precisavam ser monitorados antes de uma conclusão definitiva. Agora, a AGU afirma que esse período de observação já transcorreu e que a expectativa de que as fragilidades da legislação pudessem ser corrigidas por meio da regulamentação não se confirmou. Segundo o órgão, apesar das medidas adotadas pelo Executivo, os indicadores disponíveis mostram a "persistência e agravamento dos danos" que deveriam ser evitados pelas regras. O objetivo da manifestação desta sexta-feira é garantir validade da medida provisória (MP) que proibiu apostas on-line. "Os atos normativos editados pelo Poder Executivo para tentar conter alguns dos riscos da atividade — embora tenham sido relevantes para mitigar a nocividade das bets — não se mostraram suficientes para harmonizar a legislação atacada com os parâmetros da Constituição", afirma a manifestação. O documento é assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e foi apresentado na ação que questiona as leis de 2018 e 2023 que instituíram e regulamentaram as apostas de quota fixa. A AGU pede que sejam derrubados os dispositivos que formam o núcleo jurídico que permite a exploração dessa modalidade de aposta. Na avaliação do…
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